Algumas visitas, milhões de histórias, infinitos amores.

Acredito que todos sabem que sou escoteirinha, mais especificamente sou Sênior e estamos em um Projeto de Desenvolvimento Comunitário em que vamos acompanhar uma Casa de Repouso por 4 meses.

Acho que deu um mês agorinha e apenas estou passando para compartilhar um pedacinho de minhas tardes sábados.

Estou conhecendo muitas senhoras e senhores e tenho me surpreendido com a capacidade e facilidade de se construir uma amizade com essa faixa etária tão abandonada pela sociedade.

Isso ocorre por que ser idosa ou idoso se tornou um “problema” entre as famílias e uma triste história e até mesmo trauma entre eles. A solidão, o medo (de morrer), a visão pessimista da vida se fazem muito presentes nesse ambiente e por isso ver um sorriso e pequenas reações tem me atingido de um jeito sem igual.

Minha amiga de 67 anos, Georgina é a mais animadinha. Ela vai nos bailes da terceira idade todos os domingos e é extremamente vaidosa: brincos, pulseiras, colares, estampas hahaha e uma unha sempre alegre, hoje por exemplo era verde 💚

Georgina sempre me faz rir e hoje me disse um provérbio que me deu saudade dessas mensagenzinhas faladas no dia a dia e menos compartilhadas no Facebook: “Hayssa existem 3 coisas que não ficam sem: sábado sem sol, domingo sem missa e segunda sem preguiça”

Minha outra amiga, Cidinha de 96 anos possui cabelos inteirinhos brancos em uma franja delicada sobre a testa em um corte curtinho extremamente fofo. Ela tem medo de esquecer como escreve e anda com um caderninho, do estilo diário e fiquei muito feliz quando ela pediu para eu escrever um recadinho nele e depois disso ela me lembrar todas as semanas o quanto sou especial para ela, e o quanto ela ama a mocidade.

Apenas queria deixar aqui nessa rede social monótona um recadinho a todos (que no fim serão poucos que lerão até aqui), que a ajudar ao próximo e servir a Deus é muito mais que colocar uma legenda “good vibes”, compartilhar arrependimentos e “bads da vida”, é muito mais que gastar dinheiro e tempo em “opens” e roles em que a maioria de vocês se quer se lembram o que fizeram.

Existe uma geração envelhecida e literalmente esquecida por todos em asilos, casas de repousos e até mesmo dentro da sua casa. Essas pessoas são como duas caixinhas, uma cheia de amor e história e outra de solidão e medo. Porem uma você não pode deixar que esvazie e outra você não pode deixar que encha. Isso tudo porque é nessa idade em que os sentimentos tomam conta da pessoa e essas construções de ideias ficou clara em apenas 2 horas semanais com esses senhores. Sim em apenas duas horas você ri, (quase) chora e conversa, tudo porque eles são extremamente sensíveis e carentes.

De qualquer forma envelhecer é um mistério e se nem mesmo a Cidinha que logo será centenária nessa vida sabe como chegou até aqui e o que está acontecendo, quem sou eu para dizer alguma coisa. Apenas posso afirmar o que vejo e Cidinha mesmo com a vista cansada e na cadeira de rodas, me da sempre um sermãozinho e me mostra o quão bom é viver.

Quero deixar aqui que todos nós temos a obrigação de amar, não somente os que estão perto e nos retribuem, mas os que buscam alguém para doar um pouco de amor, esses swao os que ja foram amados e agora se veem como caixinhas vazias.

Confesso que não era minha intenção esse texto longuíssimo, ia apenas contar o proverbinho da Georgina. Mas acabei concluindo com tudo isso que o objetivo de nosso Projeto era ajudar da mais simples forma uma Casa de Repouso. Porém no fim acho que quem mais esta sendo beneficiada nisso, sou eu mesma.

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