O velho chato é você!

Dia 1 de outubro, se “comemorou” o Dia do Idoso, uma data que deveria ser lembrada como todos as outras com presentes, homenagens ou até mesmo, um novo logotipo no Facebook. Porém, como é perceptível, nem o próprio leitor sabia da existência desse dia e o pior é que o esquecimento da população e da mídia se reflete na sociedade com o esquecimento de direitos, deveres e o devido respeito sobre o assunto. A ignorância e a indiferença fazem com que os idosos sejam confundidas com “velhos trapos” e muitas vezes associada com tudo de menor valor, exceto com o seu maior sinônimo: o amor.

Bom, seria simples apenas lembrar os direitos não garantidos da terceira idade e realçar a importância deles. Mas quero ressaltar os deveres e as simples ações que não estão escritas no Estatuto do Idoso e que nós, como jovens deveríamos ter um mínimo de preocupação em fazer o dia de um senhor mais fácil, prático e principalmente, mais feliz. Até por que o encontro com esses no dia a dia é inevitável e não há desculpa para não trocar qualquer tipo de contato ou ação, seja na casa de seus avós, na rua, metrô, filas, lojas, etc. E são nesses locais, principalmente nos públicos, onde se revela a verdadeira face de nossa geração.
Um claro exemplo a respeito, foi minha experiência no Rio de Janeiro durante as Olimpíada. Ao usar o metrô em um horário relativamente mais movimentado, percebi o quão egotista somos e o quanto a nossa zona de conforto se estagnou acima da gentileza. A maioria das pessoas estavam entretidas em seus respectivos “mundinhos” e não deram conta do que se perdia no mundo real. Uma senhora que sem duvidas tinha mais de 70 anos, estava de pé e sem qualquer apoio, foi completamente ignorada e rejeitada. Muitos dos que estavam sentados, inclusive, encararam-na sem qualquer ressentimento e voltaram a mexer em seus celulares.

Infelizmente, eu não tinha assento para oferecer, pelo fato de também estar em pé. Desse modo, a única coisa que pude fazer foi conversar com ela. Enquanto ela dizia que a situação era “normal”, e que ela já havia se “acostumado”, apareceu um grande sorriso em seu rosto em sinal de gratidão. Uma simples preocupação e atenção me fez perceber que, apesar da situação desconfortável em que ela estava, a senhora ainda quis me agradar em dizer que estava bem. Com isso, a única certeza que tive é que nós, como jovens, estamos estudando e dedicando todo nosso tempo para ganhar dinheiro ou planejar esse fim, mas não percebemos que existe um fim inevitável fora dos planejamentos: envelhecer, e o pior ganhar proporcionalmente a falta de respeito, nem que seja por um assento no transporte público.

Nesse cenário, eu poderia dizer que tudo vai mudar, e que as pessoas tendem a ser mais atenciosas. Porém não vou mentir, se você, sim, você aí, não fizer nada a respeito, isso não vai mudar e você estará determinado a ser esse próximo senhor(a) em pé em um metro. Porém não se limite nesse exemplo, há inúmeras outras simples ações que podem mudar o dia de alguém e contagiar o dia de outro. Por isso comece hoje, dentro da sua casa, ou da casa de seu avô, em um asilo. Haja com um bom dia, uma conversa, uma gentileza e/ou um abraço. Desse modo você estará descobrindo não somente uma conversa com uma geração que olha além de seus olhos, mas uma fonte de amor que o esperava para dividir seu tempo, algo além de uma refeição em um domingo à tarde. Você estará descobrindo que podemos interromper esse ciclo vicioso de esquecimento do idoso e que o verdadeiro “velho” chato é você!

 

(TEXTO PUBLICADO PARA A REVISTA DIGITAL GET UP! – EDIÇÃO DE OUTUBRO\2016)

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