Solitude, todo dia.

Um café da manhã as 10:13 ao som de Norah Jones, suspiros e pensamentos altos. Eu amo estar só sem me sentir só, desde sempre. Amo olhar a janela do ônibus lotado ao som de Elis Regina e também amo não escutar nada e observar os detalhes das pessoas, o chão lotado de pés impacientes, testas franzidas no relógios ou sorrisos vindos de mensagens de textos. Cada momento é tão precioso que não cabe palavras para expressar os contornos de um segundo vivido. Porém depois de um tempo, quase engasgada com minhas próprias palavras, resolvi tentar organiza-las aqui.

Por muito tempo estive quieta, apenas escutando, absorvendo e sem querer, tendo a certeza que amo isso: meu espaço, minha carcaça, meu ser. Depois de ficar afastada desse cantinho que amo tanto, eu voltei. Não sei dizer se é para sempre, mas amo escrever e agora que tenho só eu e eu mesma, sobra tempo para pensar, refletir e viver um pouco mais comigo.

Está perdido? Sou universitária em uma cidade com tudo novo e morando sozinha, para a minha maior alegria de todas! Sou maluca? Solitária? Talvez, mas eu defino isso como solitude. Ao contrário de solidão, solitude é estar sozinha sem se sentir só.

Como isso ocorre? Bom, aí já não sei, parece que sempre me ocorreu e eu amo estar bem acompanha de mim mesma. Analogamente, é como se uma tartaruga achasse seu casco o melhor lugar do mundo e que embora ele seja duro e rígido externamente, por dentro ela é ela, molinha e no conjunto, uma simples tartaruga. Segundo o filósofo Aristoteles, “o homem é um animal social” e eu complemento com as características de ter  instinto controlável e s capacidade de interagir e escolher, ainda que a opção seja a si

Nessas férias, minha tia me disse que quando eu era pequena e chupava o dedo, andava no carrinho só observando as coisas, ela sempre pensou o que será que eu estava tanto olhando ou planejando. Cheguei à conclusão que na minha infância, sempre prefiri meus livros e gibis. Eu amava ficar no meu quarto ou em cima de uma árvore do meu antigo condomínio, ou outra do pesqueiro que meu avô me levava, sempre lendo e observando…  E agora na minha juventude, me vejo apaixonada por mim, meu amadurecimento, minhas viagens e esse café comigo mesma.

Bom, ao contrario de suas conclusões precipitadas leitor, eu também amava e amo a vida social, dormir na casa das amiguinhas, ir ao escoteiro, esportes e conversar nas aulas e talvez essa seja a chave de mim mesma. A solitude, essa alegria em me sentir preenchida comigo mesma e ela ser minha opção na maioria dos casos, não significa que quero viver nesse estado em sua plenitude mas, significa que não preciso de mais nada ou ninguém para me sentir completa. Desde as tarefas mais básicas como ver um filme até as mais complexas para algumas pessoas, como ir ao cinema sozinha. Eu simplesmente amo, e não me afeta em nada os olhares que sei que querem dizer “mas veio SOZINHA para o restaurante” e eu também respondo no pensamento e com um sorrisinho: sim, mesa para um.

Como descobri esse termo? Um vídeo maravilhoso do “Enrique Sem H”, um youtuber que já tinha admiração depois de uma introspecção sobre redes sociais e minimalismo. Também descobri que a Pricilla Alcântara tinha essa palavra tatuadas no pescoço e hoje achei uma musica do Djavan e outra dela também com o mesmo nome e outra mil textos e vídeos que tentam definir esse sentimento e modo de vida, quase que sempre, sem sucesso.

O fato é que, a solitude é ao mesmo tempo complexa e simples, depende de como você quer ver a vida e/ou vivê-la. Ela poderia resolver muitos problemas atuais impossíveis de enumerar e acho que foi isso que o Djavan tentou dizer em sua música. Uma pessoa incompleta consigo mesma, entra em relacionamentos vazios, guerras internas e externas, propósitos falsos e simplesmente nada lhe preenche, até por que só você cabe em você mesma. Parece óbvio né? Mas sim, só você encaixa em você mesmo e tudo ou qualquer outra coisa além do que você acredita não vão suprir seu interior.

Talvez em letras você não entenda, então simplesmente se ame, ame seus ideais, ideologias e crenças: aprenda a estar só, fazer as coisas por si e pelo o que você tem certeza que vale a pena. Para mim nunca foi esforço ou algo treinado, eu apenas fiz e vivi e hoje percebo que sempre estive em solitude, muito provavelmente pela minha fé e criação  mas, também pela minha escolha em alimentar isso em mim. A cantora Pricilla diz em sua música “é só você dizer sim ou não e transformar em solitude a solidão”, e me parece ser isso mesmo, uma atribuição de mais valor para o seu mundo interior ou para o mundo exterior, que sempre estará em um caos que não vai entrar em você, e se entrar não vai encaixar.

Então, é isso, estou vivendo a mais plena solitude, como nunca experimentei antes, nem nos meus mochiloes mais longínquos eu tive esse sentimento e eu queria tanto que todos experimentassem um pouco disso… É o meu café de todo dia.

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